Racionalismo: Descartes
- Rodrigo R de Carvalho

- 11 de mai. de 2025
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As questões acerca da epistemologia são: De onde vêm as verdades? Como obtemos o conhecimento? Quais seus limites? Qual seu método? No decorrer do XVII a epistemologia tornou-se o principal tema filosófico, tendo em vista que as ciências naturais estavam progredindo de forma acelerada. Duas correntes filosóficas disputaram a verdade sobre a epistemologia nesta época, o racionalismo e o empirismo.
No racionalismo temos a defesa de que é a razão, e não os sentidos a fonte do conhecimento. Nessa tese a razão seria a única fonte do conhecimento seguro, pois o conhecimento científico deveria gozar de certeza absoluta de precisão lógica, tal como a matemática, o conhecimento advindo da razão tem validade universal, independe de tempo histórico, cultura ou religião, é verdadeiro para todo ser racional.
René Descartes 1596 – 1650 foi um dos mais importantes filósofos do racionalismo, foi também o Filósofo que inaugurou a filosofia moderna. De acordo com ele somente o que for claro e distinto pode levar o nome de conhecimento científico, tudo que que for inseguro e duvidoso deve ser descartado como fonte insegura. A dúvida hiperbólica, isto é, o método de colocar em dúvida os sentidos, as crenças, as tradições e tudo mais até encontrar uma verdade indubitável e auto-evidente, foi utilizado como ferramenta para encontrar as bases seguras para o conhecimento.
Após por tudo em dúvidas uma certeza surge, esta certeza é a primeira ideia clara e distinta, base para o conhecimento: “eu penso, logo existo” A existência enquanto substância pensante é a certeza imediata e indubitável que todo ser racional reconhece. Essa primeira ideia é inata, isto é, já se encontra na razão antes mesmo de termos experiência, essa ideia não se origina do nosso contato com o mundo. Nós intuímos imediatamente nossa existência e dela podemos deduzir outras verdades.
A segunda ideia inata, clara e distinta é a ideia da perfeição, temos claramente esta ideia em nossa mente, no entanto, sua origem é um mistério para nós uma vez que no mundo sensível e empírico nada é perfeito. Para Descartes, tal ideia e a assinatura de Deus em nós, tal como o artista assina sua obra Deus teria colocada esta ideia em nossa razão, para que ela pudesse levar ao criador.
A terceira e última ideia inata, clara e distinta é a de extensão. Com o argumento da cera Descartes defende que tudo que existe no mundo material possui extensão, lugar no espaço, por mais que as coisas se modifiquem quanto ao cheiro, gosto, aparência elas continuam tendo extensão. Isso acaba por apresentar uma realidade contendo duas substâncias.
Descartes compreende a realidade dividida em duas substâncias, assim como Platão, a primeira, res Cogita, a substância pensante, a qual é imaterial, a segunda, res extensa, substância extensa, a matéria. O mundo é todo ele substância extensa, matéria, e como tal sofre ação da causalidade. O universo é como uma mesa de bilhar no qual após o movimento ser iniciado uma coisa causa o movimento da outra. O universo é, desta forma, como um relógio, um conjunto de engrenagens posta em movimento uma pelas outras, sendo o primeiro chute dado por Deus. Deus seria o primeiro motor e o engenheiro que produziu um universo que funciona com leis.
Assim como há o dualismo ontológico também temos o dualismo antropológico, no qual o homem é compreendido como dotado de res cogita e res extensa, de mente e de corpo. Essa característica é o que nos diferencia dos demais animais. A grande questão que se coloca é como a substância pensante se comunica com a substância extensa? Como a mente se comunica com o corpo e vice-versa, tendo em vista que elas são absolutamente distintas. Como é possível que um pensamento, como o desejo de tomar sorvete, possa causar o movimento de meu corpo extenso até a sorveteria?
Sobre essa questão Descartes sugere que tal conexão ocorre através de uma glândula do cérebro chamada pineal. Essa foi uma das respostas tidas como a mais insatisfatória da filosofia. O problema de como algo físico se comunica com um não físico permanece, tendo em vista que a tal glândula também é extensa. Outro problema que se coloca é como seria possível a existência da liberdade humana, do arbítrio uma vez que todo o mundo é determinado mecanicamente.
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